Elevador, e leva dor.

Elevador, e leva dor.

Sinto-me terrivelmente vazia. Sem saber exatamente por quê. Às vezes odeio esta vida, estas paredes, essas caminhadas de casa para a aula, da aula para casa, esses diálogos vazios, odeio até este diário, que não existiria se eu não me sentisse tão só. Eu fecharia a porta por não querer corrigir a postura que uso quando escrevo, e para que ninguém me visse chorar se eu perdesse o controle. Eu contaria os meus segredos em pilhas de metáforas, bordaria os meus medos com flores e cobriria os meus demônios com pedras limosas. Confesso que sempre achei lindo retomar o mesmo processo de sempre e ainda parecer imprevisível. Sempre adorei a ideia de escrever, ser alguém que doma as palavras com a mesma sagacidade com que o faz com os sentimentos. No final, eu sorriria, porque apenas eu sabia das coisas que não escrevi - embora tudo estivesse ali disfarçado. Aquela covarde que se escondia atrás de duas palavras de fé, aquele moça triste que jogava papéis picados para o alto e se convencia de que via neve, aquela coisa previsível que perdeu a identidade de menina ou mulher, pássaro ou gigante, mas que voltava ao canto para rabiscar o ladrilho gasto com um prego enferrujado. Aí mais uma coisa. As coisas sempre viriam com um adjetivo que as fizessem mortas, fracas ou velhas. Porque as coisas por aqui são assim. Porque eu as deixo trancadas tempo demais, apertadas demais, confusas demais e, sendo domada por aquilo que sinto, acabo por nunca saber quem sou. Ninguém precisa ficar sabendo que eu sou fraca para bebida. Ninguém precisa saber que eu tenho medo de altura e choro com os finais felizes dos filmes. Não é necessário que ninguém saiba que eu penso 25 horas por dia. Que acho meus pés feios. Ninguém precisa saber que eu quero ser feliz, mas não consigo. Ninguém precisa saber que eu não sou nada fotogênica. Ninguém precisa saber que escrevo para abafar meus medos e angustias. E principalmente, ninguém precisa saber que isto é uma confissão. (Ana)
Ventos não seriam ventos se não levassem nossas dores. Amores não seriam amores se não durassem para sempre. Aliás, amores não seriam amores se não existisse um para sempre.

(Source: salva-dor)


É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou. Entregar todos os teus sonhos porque um deles não se realizou, perder a fé em todas as orações porque uma não foi atendida, desistir de todos os esforços porque um deles fracassou. É loucura condenar todas as amizades porque uma te traiu, descrer de todo amor porque um deles te foi infiel. É loucura jogar fora todas as chances de ser feliz porque uma tentativa não deu certo. Espero que na tua caminhada não cometas estas loucuras. Lembrando que sempre há uma outra chance, uma outra amizade, um outro amor, uma nova força. Para todo fim, um recomeço.

O Pequeno Príncipe.

(Source: salva-dor)


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29 May 12 at 4 pm
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via sibilar (originally sibilar)
Se eu pudesse, pegaria todas as suas dores para não te ver sofrer. Choraria todas as suas lágrimas para não te ver chorar. Viveria todos os seus momentos tristes para não te ver deprimido. Se eu pudesse, viveria todos os seus amores mal resolvidos, andaria no meio dos trilhos, atravessaria uma ponte velha, deitaria no meio da rua, buscaria tua felicidade na Lua. Por você eu roubaria o brilho do Sol, a letra da melodia, e uma risada para causar a sua alegria. Por você eu arranjo o meu melhor riso, deixo os problemas de lado e jogo a sujeira pra debaixo do tapete. Sem prazo de validade, sem nada que interfira a nossa verdade, ou palavras que enfraqueçam a nossa felicidade. Por você, pra você e com você.

Por você, pra você e com você

(Source: salva-dor)



Me sinto perdida no mundo. Ou dentro de mim, que seja.


(Source: salva-dor)


A melancolia – cômica, como sempre - veio de novo em minha janela, dia desses, para me dizer que eu tinha de voltar para casa. Acho que ela e o vento fizeram esse acordo, de me tirarem para dançar toda vez que eu alcanço um ninho ou um galho que sustente o meu pesado pouso. Mas eu não quero rasgar o meu coração outra vez, fazendo ele se desprender desses arames farpados, eu me aconcheguei aqui, no meu desespero, na minha desistência, no meu fracasso. Deixa esses amantes desvairados para amanhã, que eu não quero mais contribuir na construção de sonhos que deixei de acreditar. Eu deveria voltar para casa, decerto, mas nem sei onde ela está – se está mesmo em algum lugar. “Está bem, está tudo bem”, eu fico repetindo enquanto limpo a sujeira que vai grudando nas minhas pernas feridas enquanto eu corro de olhos fechados. “Amanhã ela vai embora”, eu digo, fitando o espelho enquanto raspo a cabeça e arranco com as unhas as novas penas que nascem nos meus braços. Tenho chorado todas as noites, receoso de que chegasse cedo a hora de partir, temeroso de que com o amanhã viesse a incerteza da calma, ansioso pelo dia que você traria a chave da torre. Você fica linda nesse traje de nuvem, eu gosto de lhe ver brincando de fugitiva, invertendo os papéis comigo, me permito sorrir quando você cerra as pestanas procurando um lugar para se esconder que eu não conheça, mas eu sinto o seu cheiro de longe. Em minhas lembranças mora um pedaço seu, e eu me permito afaga-lo no meu rosto quando estivermos separados pelos rabiscos das escolhas não planejadas. Eu lamento pelo vidro que tive de quebrar para roubar uma pétala da flor que crescia na sua cômoda, mas me contento em saber que dos nossos pesadelos nasceram sua alma, que é sábia e sabe se recompor, e meu coração que, se remendando com retalhos, aprendeu a se manter inteiro.

— Caio Fernando Abreu - Para o seu amor, aquele, que você ainda não sabe que está do seu lado.

(Source: salva-dor)



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29 May 12 at 4 pm
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via desumanizar (originally rasurar)
Um dia a gente aprende que as coisas - e pessoas - vem e vão, e que é bom você se acostumar com isso, principalmente com as idas.

(Source: salva-dor)


Não nasci para ser adequada, coerente, adorável. Nasci para ser gente. Para sentir de verdade. Tenho vocação para transparências e não preciso ser interessante o tempo todo. Por isso, não espere que eu supere as suas expectativas: às vezes, nem eu supero as minhas.

Flor do abismo.

(Source: salva-dor)


theme modificado/adaptado por querida solidão; baseado no theme da e-n-s-e-j-o-s e xantheose